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Num momento em que se instala o medo - o mesmo medo característico do Estado Novo, que amarrava os cidadãos à pobreza e à repressão - sentimos que o sistema precisa desse tal abanão que estremeça toda a classe política e estimule efetivamente os vários agentes da sociedade.
Precisaremos por isso, de um novo 25 de Abril centrado, não nas armas, mas na atitude e na ação governativa, nos seus patamares económico, social e cultural, que permita uma sociedade civil mais ativa e mais livre, neste intrincado processo de sobrevivência.
Uma revolução silenciosa que permita que a política mais madura e mais assertiva, lidere efetivamente os destinos do país e das instituições, rompendo com supremacias tecnocráticas e interesses económicos instalados que nos arruínam diariamente.
É urgente um novo 25 de Abril nas ideias e nas atitudes, que restitua a confiança no futuro e que volte a criar um sonho coletivo, reabilitando o direito ao futuro por parte das próximas gerações.
Um novo 25 de Abril que leve a democracia a refazer-se e a aprofundar-se, num momento em que se desqualifica diariamente nos discursos e nas ações. Num momento em que se tomam medidas duríssimas que em vez de darem indicações de melhoria, nos afundam cada vez mais.
Criar um novo 25 de Abril de mentalidades, apostando na Educação e na cultura, combatendo a pobreza, o desperdício dos fundos públicos, o desequilíbrio na distribuição da riqueza e apostar em novas formas de criação de riqueza e de emprego.
Dizer isto assim, parece retórica, porque é aquilo que ouvimos todos os dias - de que o país vai mal, que é preciso mudar, que os políticos são todos iguais – mas é urgente fazer alguma coisa que inverta a situação de depressão e agonia social em que mergulhamos.
É preciso, é urgente, uma revolução criativa que mobilize os cidadãos para as causas e coisas da democracia, de modo a encontrar caminhos que levem a novos empregos e a novos sustentos.
Atitudes que dependem de cada um de nós, no nosso dia-a-dia, mas que em muito dependem das opções governativas dos Estados, numa altura em que precisamos de um novo Jean Monet para refundar a Europa e de um novo Keynes para nos ajudar a sair da crise, como diz o Professor Freitas do Amaral.
Como se vê e constata, vivemos um tempo em que os sonhos do passado parecem ter desaparecido, mas não podemos perder a ambição de um tempo melhor. Está nas nossas mãos realizar os sonhos, reinventar a esperança.
É possível vencermos se nos mantivermos unidos e coesos e se os sacrifícios forem repartidos de uma forma justa e se se perceber que as exigências do presente têm um sentido de futuro, têm um propósito e uma linha de rumo coerente.
Só assim teremos razões legítimas para sonhar, as mesmas razões que há 38 anos nos deram a liberdade e a democracia. Razões de heróis que não tiveram medo do futuro e acreditaram na mudança.
Por isso, não é menor o patriotismo heróico que se exige a todos nós, que teremos de ser os heróis do nosso tempo, em que unidos, não devemos recear. E começar já hoje a construir um país digno da memória de Abril e da sua esperança.


 
Seia, 25 de abril de 2012
Mário Jorge Branquinho - PS
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Sábado, 21 de Abril de 2012

Quarta-feira comemoramos abril


Estamos a poucos dias de comemorar 38 anos da revolução do 25 de abril, altura propícia para pensarmos no rumo que seguimos e nos caminhos que é preciso desbravar.
Em Seia, a sessão solene evocativa do Dia da Liberdade é quarta-feira, pelas 10 Horas no Auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia, onde todos são chamados a assistir, como forma simbólica de valorizar a revolução dos cravos.
Uma altura propícia para repensarmos este tipo de comemorações, quando se começa a debater a nova reforma administrativa local e que anuncia muitas mudanças, como dá conta hoje o Jornal Expresso.
É que reforma administrativa não é só a extinção e agregação de freguesias! É muito mais do que isso. Mas primeiro vamos comemorar abril, em tempos duros e difíceis, para a seguir vermos o que nos reserva o futuro.
Até lá!