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- A dormir.

- A ir ao cinema.

- A almoçar com os meus amigos.

- A tomar banho de imersão com um copo de vinho e música clássica.

- A ver toda a quarta temporada do Mad Men, sem barulhos e interrupções.

- Sem filhos.

Parabéns a mim. E a tudo o que eu não faço porque sou uma mãe do caralho.



Por Rititi @ 2012/05/07 | 5 comentários »


A minha última crónica na Revista Penthouse: LUV Madonna

A partir deste mês deixo de escrever na revista Penthouse. Com muitíssima pena minha, juro. Adorei escrever na revista Penthouse, rodeada de coninhas depiladas, mamocas, rabos alçados e declarações fabulosas das estrelas de cada número (“a primeira coisa que reparo num homem são as mãos”, “sou meiguinha mas selvagem na cama”….). Durante um ano e meio escrevi todos os meses sobre sexo, as relações de cama, as expectativas, as mentiras típicas, ou seja, detudo e nada de jeito, porque de sexo toda a gente sabe (ou devia saber) e o meu papel não era estar a dar lições a ninguém (e muito menos a gajos que compram uma revista com miúdas com as pernas abertas até às orelhas). Obrigada aos leitores, às meninas, às coninhas e ao Zé Mascarenhas um beijo enorme.

Aqui vos deixo a minha última crónica, dedica à DIVA:

“Todos temos os nossos ídolos. E eu, que não sou menos que ninguém, tenho o meu. Eu adoro a Madonna, que fazer. Percebo quando me dizem que não tem nada de especial, que é uma mulher pequena e magrelas sem nenhum rasgo físico que a faça parecer espectacular, assim do género Cindy Crawford (sim, eu sei, sou de outra época, caros leitores, mas esta que vos escreve já tem uma certa idade), dona de uma voz a atirar para o banal e ainda por cima está a ficar velha. Mas mesmo assim, ela é magnética, transmite uma força que nem que a Lady Gaga metesse os dedos numa tomada conseguiria nunca ter, é moderna, é deslumbrante, é uma diva. Ela é a Diva. Como tantos milhões de madonna-adicts do mundo vi dezenas de vezes o novo teledisco (ou será videoclip que se diz?), comentei no Facebook feita groupie adolescente o show que deu na Superbowl e já tenho uns quantos estilismos copiados para quando sair à noite com os meus amigos gays. Sou uma histérica, mas vivo bem com isto.

Porque a Madonna sempre esteve aí, comigo, desde a minha adolescência. Era uma espécie de referência e mesmo que a minha mãe me proibisse expressamente sair de casa naqueles preparos eu imitava-a em frente ao espelho, com a franja cardada e umas meias rotas nas mãos a fazer de luvas. Patético. Mas não era a roupa ou o estilo dela que me fizeram adorá-la e tê-la como referente: foi o sexo. A sua visão da sexualidade, aberta, descarada, ilimitada, abriu-nos os olhos a milhões de adolescentes que, com cara de parvos em frente à televisão, percebemos que não havia nada de mal em gostar físicamente de outros, de muitos, aos pares, do mesmo sexo, de diferente raças, em várias posições e muitas vezes. O sexo, que nunca deixará de ser tabu e estará sempre vigiado pelos talibãs da moralidade alheia, nessa altura pareceu-me menos tabu, menos proibido e mais saudável. Uma mulher que me dizia que eu, mulher como ela, era a única dona do meu corpo, que não havia mais autoridade que a minha em relação à minha sexualidade, que o prazer é um assunto íntimo sem necessidade de supervisão ou autorização, e que a ninguém tinha que dar justificações sobre o que fazia ou deixava de fazer. E isso, foi a Madonna, com o Like a Virgin, o Vogue, o Satisfy my Love, que conseguiu. Uma epifania pop, toma lá.

E agora é vê-la outra vez na televisão, sempre rodeada de marmanjos 25 anos mais novos que ela, já sejam namorados ou dançarinos que a acompanham nos espectáculos, a dançar feita uma ginasta soviética nos Jogos Olímpicos de 1975, dobrada sobre si própria e cada dia mais magra-magríssima, mais musculada e mais operada, numa tentativa louca, já não de manter nova, mas sim de parecer mais nova que há trinta anos atrás, lutando contra o tempo, a gravidade e a Historia Universal. Numa Cher, numa Demi Moore, até numa Sharon Stone todo este batalhar contra o inevitável me parece artificial, absurdo, mas em Madonna não. É o normal. Está a passar a mesma a mensagem: eu sou a dona, eu mando aqui. E a mim, deste lado da realidade, este recado vale-me tanto como valeu quando eu tinha quinze anos: eu sou sexy, mesmo passados os trinta, mesmo que já não pese o que marcam os tamanhos das roupas nas lojas que deveria pesar, mesmo que as minhas mamas vão evoluindo (não encontrei melhor eufemismos para dizer “já não são o que eram, as desgraçadas”) não há quem possa comigo. E em quanto ao sexo se refere, saber que até a Madonna, esse ser magricelas, baixinho e sem nenhum talento natural para nada (a não ser para ser ela própria) tem sempre atrelado um gajo que parece uma estátua grega é uma fonte de inspiração. E não há nada mais feminista que isto, nem mais optimista e mais valente. L.U.V Madonna!”



Por Rititi @ 2012/05/02 | 5 comentários »


PENTHOUSE DE MARÇO: UM ORGASMO É UM ORGASMO

Segundo a pedia, essa fonte de conhecimento da pos-modernidade, “La Petite Mort” é o termo que se refere ao momento imediatamente a seguir ao orgasmo e que está associado a uma pequena perda de consciência, a um ligeiro desvanecimento derivado do supremo êxtase orgásmico.Também é o nome do livro editado pela prestigiosa editora Taschen que recolhe as fotografias de 37 mulheres a masturbar-se que o canadiano Will Santillo foi fazendo ao longo de oito anos por esse mundo fora. Mulheres magras, mulheres gordas, com as calças descidas até aos joelhos, nuas num carro a ser observadas por desconhecidos que também se tocam, mulheres que se masturbam na banheira ou em frente ao espelho, com a mão ou com brinquedos eróticos, sozinhas ou com o parceiro, com pérolas no pescoço, com o sutiã caído, com o rabo alçado, com os dedos enfiados dentro da vagina, com a boca aberta e olhos revirados, mulheres reais, que não são actrizes nem profissionais da pornografia e que faz que este livro tenha uma honestidade brutal. As fotografias são bonitas, claro que sim, a luz é a ideal, a cor reflecte a sensualidade desejada, mas saber que as senhoras que aparecem ali com as pernas abertas e com cara alucinada enquanto se tocam as mamas e o rabo e as pernas depois vão para o escritório acabar o relatório e levam os filhos à escola dá-lhe ao trabalho do fotógrafo a veracidade perfeita para uma obra que tem uma vocação quase metafísica.

Porque quando se trata da sexualidade feminina parece que a Humanidade ainda está à procura de uma explicação para a génese do prazer das mulheres, da essência primária, das razões e motivações para que uma miúda que vive num apartamento no Fundão com o namorado e o pastor alemão se encerre sozinha na casa de banho e se dê prazer com o chuveiro, se sente no chão de joelhos e se toque uma e outra vez com os dedos, que se venha em silêncio enquanto o mundo lá fora se debate entre as reuniões da Troika e a máquina de lavar a roupa. É fatal como o destino: cada três meses, não há tratado, livro, estudo promovido por uma reconhecida universidade americana que não se debata com o tema do orgasmo feminino. E se se trata de orgasmo em solitário, da masturbação, ainda é mais gritante, como se nesse acto tão privado e tão banal se encerrassem todos os segredos do Universo. Quando uma mulher se masturba nasce uma nova estrela, explode a anti-materia, colidem os planetas. Quando uma mulher se vem renasce a Humanidade.

Pelo o amor da santa: BASTA! É só um orgasmo, mais um de muitíssimo que as mulheres têm como os homens também têm. Na cama, de manhã, antes de ir ao médico, na casa de banho do trabalho, com o marido, na cozinha: quando nos apetece. Essa é a verdadeira e única razão pela qual as mulheres se masturbam. Um orgasmo é um orgasmo: é essencial para a manutenção da  felicidade intelectual e física, sem ele não há relação sexual ou amorosa que sobreviva e deveria ser obrigatório que todos e cada um dos seres humanos soubessem como fazê-lo em solitário. A masturbação, se não põe os homens cegos, também não deixa as mulheres carecas. Que é muito boa? Claro! Que se deveria practicar mais? Óbvio! Que aliás as mulheres podemos ter vários orgasmos sozinhas e seguidos? Já toda a gente sabe isso. Mas já chega de fazer deste tema a tese de doutoramento sobre a metafísica da humanidade. É só um orgasmo, pá!



Por Rititi @ 2012/04/18 | 7 comentários »


Prémio vai ao cu a ti: Bispos intolerantes

Sou católica. É o meu clube. Acredito, sim, na ressurreição dos mortos, da divindade de Cristo, na compaixão e no amor ao próximo. Acredito e tenho fé. Mas cada dia gosto menos do meu clube. Declarações como as do Bispo de Alcalá Henares na missa do de Sexta-Feira Santa transmitidas pela televisão pública espanhola dão-me nojo. Que um alto responsável da minha igreja diga que os gays estão no inferno e corrompem ou que as mulheres que abortam já vivem para sempre em pecado envergonham-me e dão-me muita vontade de sair definitivamente de um clube que não me representa, que não entende a compaixão como mensagem principal de Cristo, que se nega a sair do buraco de escuridão em que se fechou há séculos  atrás por medo de uma sociedade cada dia mais tolerante, aberta e sem complexos. Duvido que Cristo gostasse desta arrogância, desta mesquindade, desta necessidade doentia de se meter na vida dos outros. E não, a Igreja não é a Curia, nem as interpretações enquistadas do mundo: a Igreja somos todos, os crentes, os bispos, as mães, as mulheres que abortam, os divorciados, os gays, as mães solteiras, os que pecam. Porque aqui pecamos todos. E se não aceitaria nunca que um imã filho da puta viesse para a televisão defender o véu porque a mulher é inferior ao cabrão do marido, então não posso sequer entender porque razão um bispo ou quem quer que seja diga na televisão pública que a homossexualidade e o aborto, que são legais, que não crimes, são recrimináveis, pecado ou o caralho, só porque a seita que o tem como representante se nega a aceitar que há mais mundo além das paredes das suas igrejas. Assim não. Assim saio do clube.



Por Rititi @ 2012/04/10 | 17 comentários »


PENTHOUSE DE FEVEREIRO: QUANDO ELAS FINGEM

Rapaz conhece rapariga. Rapaz acha piada à rapariga. Rapaz faz o cortejo do costume e, depois de três cinemas, oitenta euros em jantares e uma tarde com as chatas das amigas, rapariga também acaba por achar piada ao rapaz. Rapaz dá beijinhos. Rapariga dá beijinhos. Rapaz tenta meter a mão debaixo da camisola. Rapariga diz que ela é uma moça séria. Rapaz almoça ao domingo com os pais da rapariga e ainda tem direito a visitar a avó paralítica no lar da terceira idade. Rapariga deixa meter a mão debaixo da camisola. Rapaz prepara noite romântica com velinhas e bombons num hotel com boas referências e longe das amigas, os pais e a avó paralítica. Rapariga estreia lingerie sexy como aquela da Luisa Beirão no anúncio da Triumph. Rapaz toma banho e passa pela farmácia para se abastecer com uma dúzia de preservativos XXL, ultra touch e hiper sensitive plus. Rapaz e rapariga fazem o que têm a fazer com muito cuidado para ficarem com uma bonita recordação da sua primeira e apaixonada vez. Rapaz esforça-se. Rapariga gosta mesmo do rapaz mas o rapaz não parece estar a esforçar-se na boa direcção. Rapariga tenta indicar. Rapaz não atina. Rapariga não pode acreditar que aquilo lhe esteja a acontecer. Rapaz acaba o que tem que acabar. Rapariga nem sequer viu uma luzinha ao fundo do túnel. “Gostaste, meu amor?”, pergunta ele. E ela depois dos cinemas, dos jantares, das amigas, do almoço com os pais e da visita à avó paralítica, depois da noite romântica e das velinhas, da cuequinha de fio dental e do sutiã almofadado, da expectativa, ela responde “sim querido, gostei muito”.

Esta rapariga faz parte dos 60 por cento das mulheres que segundo a Universidade Oackland finge os orgasmos. Num original estudo (bocejos) sobre a sexualidade feminina (meu deus!) uns cientistas com as paredes cheias de diplomas entrevistaram 453 mulheres com o legítimo propósito de averiguar de uma uma vez por todas porquê elas dizem que sim quando a resposta deveria ser: “ó pá, se queres mesmo saber, a verdade é que foi uma grandessíssima bosta, não deste uma para a caixa, caneco, agradeço o esforço mas, francamente, para isto tinha ficado quietinha a comer chocolate que pelo menos sempre tinha gozado alguma coisa”. Mas não, elas fingem. E fazem-no, dizem os resultados deste inquérito, para manter o homem interessado e excitado e assim evitar uma possível infidelidade. E o estudo ainda vai mais longe: estas mulheres usam a manipulação para reter os gajos e as que mais mentem são as que depois continuam a maquinar outros estratagemas para evitar que os namorados as abandonem. Credo. Homens deste mundo: mais vale que aprendam a distinguir entre um verdadeiro orgasmo e esse gemido fingido e histérico que começa, que coincidência vejam só, quando vocês estão quase quase a chegar. Não tenham cuidado, não.

E vocês, raparigas, escutem bem o que eu vos digo: a idade média das criaturas entrevistadas é de 21 anos. 21 anos, que horror! A esta idade as miúdas (sim, vocês) têm é que namorar. E namorar é provar, descartar, escolher, ir saltitando de cama em cama e, sobretudo, aplicar o verdadeiro método científico da prova-erro. O gajo até pode ser um bacano, um querido e um indivíduo realmente simpático, mas se vocês ficam a meio caminho, ou não sentem nada, se ficam com essa sensação de “porra, que desperdício” então têm bom remédio: ou dizem a verdade ou então partem para outra. Mas mentir? Não serve para nada, palavra de honra, e muito menos se a ideia é “reter” o gajo. Isto é só garantia de uma penosa e triste eternidade de mau sexo. E não há homem que mereça tanto sacrifício.



Por Rititi @ 2012/03/28 | 8 comentários »


Os meus filhos

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