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Fica então o recado: mudanças de rotina são difÃceis. Levar um cachorro de quintal para apartamento pode ser bem trabalhoso. Mas basta ter boa vontade e um pouquinho de paciência, e funciona. 6 meses depois, já está tudo bem.
Ontem se completaram 4 semanas desde que Phoebe veio morar conosco num apartamento no Rio de Janeiro. E o que posso dizer é que a adaptação dela foi impressionante. Em menos de um mês, ela se tornou um cão de apartamento.
É verdade que a qualidade de vida dela melhorou muito. Ela antes passeava, quando muito, uma vez por semana. Ficava num quintal cimentado, com escada, separada das pessoas da casa. Vivia cheia de carrapatos que resistiam a todos os tratamentos. Comia um monte de porcarias e estava obesa.
Agora passeia três vezes por dia, inclusive debaixo de chuva. Nos fins de semana, sai de carro, corre solta com outros cães, se socializa. Fica dentro de casa, perto de nós, recebendo atenção e carinho na maior parte do tempo. Não tem mais carrapatos, nem pulgas. Praticamente só come ração, além de alguns petiscos light, e já emagreceu bastante.
Com isso tudo, ela está outra. A postura corporal está mais relaxada, quase não arfa mais. Brinca com os brinquedos (adora bichos de pelúcia!), rói ossos de couro, fica deitadinha no sofá curtindo preguiça. Dorme muito e bem, não fica mais acordando durante a noite, e muitas vezes continua dormindo depois que acordamos.
Já tem conseguido ficar sozinha, e estamos reduzindo progressivamente a dose do remédio, embora ainda estejamos evitando perÃodos muito longos e frequentes de solidão. Praticamente não tem latido dentro de casa, e já está fazendo as necessidades quase só na rua.
Esse fim de semana fomos pela segunda vez ao ParCão da Lagoa, no sábado. À noite fomos levar uma amiga que está hospedada lá em casa ao Centro, para um casamento, e ficamos passeando por lá enquanto esperávamos. No domingo, passamos pela Vista Chinesa, depois fomos à Cobasi, na Barra, e almoçamos no Shopping Downtown, onde cachorros podem entrar. O Rio é uma cidade cheia de opções de programas “caninos”, o que facilita muito ter cães em apartamento, inclusive os grandes – coisa que aqui é comum.
Vou manter esse diário semanal, por enquanto, para ir dando notÃcias. Desde já, muito obrigada a todos que vêm me dando apoio nessa jornada, cada manifestação de carinho e encorajamento é importante e me faz sentir que estamos no rumo certo.
Fica aqui uma pergunta: existe algum tema, dos que tratei aqui ao longo desses posts, que vocês gostariam de ver mais aprofundado? Treino de caixa de contenção, adestramento para cuidados veterinários, truques, treino de guia, …? Se houver, faço um post separado comentando.
Além disso, muita coisa passou batida porque não foi problema para nós, mas pode ser problema para outros cães se adaptando em apartamento. Destruição, por exemplo, ou xixi fora do lugar. Se alguém quiser mais dicas sobre essas questões, pode comentar por aqui, e vamos tratar delas também.
Fiquei meio sem tempo, e aproveitei para fazer um intervalo nas postagens diárias, para evitar ficar repetitiva. A verdade é que já estamos criando uma rotina, então não faz sentido ficar postando aqui todo dia pra contar que acordamos, passeamos, ela passou o dia bem.
Semana retrasada compramos o colar elizabetano, e ela está ficando com ele o tempo todo que está à toa em casa. Tiramos na hora de passear, e na hora de dar a ração dentro da caixa de transporte.
Isso diminuiu um problema para mim, que ficava o tempo todo tensa, com medo de que ela estivesse lambendo as patas, e fosse abrir outra ferida. Phoebe já teve um granuloma de lambedura (também conhecido como dermatite acral de lambedura), que é uma ferida que o cão abre com as lambidas compulsivas, e que não fecha, porque ele não para de lamber. Agora, submetida a stress, as chances de voltar são enormes. Por isso, está de colar até passar a fase mais difÃcil.
Já começou também a dormir melhor. Com o portãozinho, fica tranquila de que estamos por perto, e tem dormido bem. Agora que está com o colar, não temos mais nem a preocupação de acordar à noite quando ela acorda (ela sempre dá uma acordada no meio da noite, não tem jeito), é só esperar um pouco que ela volta a dormir.
Temos procurado manter a cozinha sempre limpa, o que acaba sendo uma vantagem para nós, inclusive. Qualquer cheiro de comida lá é suficiente para lançá-la numa busca frenética por qualquer grão de qualquer coisa.
Com relação a ficar sozinha, estamos fazendo uma mescla de táticas. Trouxe de BH os Kongs grandes, o que facilitou fazer o enriquecimento ambiental. Além disso, uma amiga veterinária sugeriu um remedinho (não é calmante, nem remédio controlado, ok?) que poderia deixá-la um pouco mais calma, facilitando que relaxasse na hora de sairmos.
Antes de sair, preparamos o enriquecimento ambiental. Pegamos a refeição da manhã, e à s vezes um tiquinho mais, e distribuÃmos por Kong, brinquedos, escondemos pela casa, colocamos dentro de um pano amarrado. Deixamos também algo para roer, um ossinho de couro ou nylon, ou algum osso de verdade (mas nem sempre, porque ela chega a machucar a gengiva de tanta empolgação pra roer coisas duras).
AÃ, damos o remedinho, entregamos alguma das coisas para ela começar a se entreter, e saÃmos. Já fizemos isso 4 vezes, e tem funcionado – estamos diminuindo a dose do remédio a cada vez, o objetivo é apenas ajudar a condicioná-la a relaxar quando vamos sair.
O resultado é que, nas nossas ausências, ela tem se entretido. Brinca, rói, sobe no sofá, dorme bastante. Ainda não estamos arriscando sair à noite, quando os latidos podem incomodar mais os vizinhos, mas as saÃdas diurnas por perÃodos não prolongados demais (cerca de 4h) já estão OK.
Viajamos para BH no fim de semana passado, e ela ficou com essa minha amiga veterinária, que tem outros dois Labradores. Ainda estamos tentando encontrar um hotelzinho de confiança mais perto de casa, para não ficar dando trabalho pra amigos a cada vez que vamos viajar.
Não tem nem um mês que Phoebe está conosco, e já tenho achado a cada dia mais fácil conviver com ela. Está mais carinhosa, menos ansiosa. Pede cafuné, coisa que nunca foi de fazer muito. Fica por perto, brinca, se esfrega de barriga pra cima em qualquer pedaço de pano que esteja no chão.
Devagarzinho, vamos melhorando. Mantenho vocês informados =)
P.S.: Tem um montão de fotos novas, mas não consegui passá-las para cá, agora. Faço um post só com elas, depois.
Cheguei em casa ontem, Phoebe tinha ficado boazinha o dia todo. Continua alucinada com comida, por isso começamos a deixar fechada a porta da cozinha, e abri-la só periodicamente, para que ela possa beber água e ir ao banheiro.
Choveu muito a noite toda, e não deu para levá-la para o terceiro passeio do dia. Então, ficamos brincando dentro de casa. Joguei a bolinha de tênis até ela se cansar de buscar, treinei alguns truques, e fizemos um pouco do protocolo de relaxamento da Karen Overall, em que o cão deve ficar quieto no tapete enquanto o dono se afasta, corre, etc. Depois, peguei a porção de ração da noite, e dividi em várias brincadeiras: uma parte no disco voador, outra no Kong, e mais uma enrolada numa toalha com nó.
Com tanta brincadeira, ela foi se mantendo calma mesmo sem o passeio. Terminamos a noite brincando de esconder a bolinha: peguei almofadas e panos e coloquei no chão, e escondia a bolinha embaixo de algum deles enquanto marido ficava com ela em outro cômodo. Phoebe amou, e estava exausta quando paramos.
Depois que fechamos o portãozinho do quarto, dormiu logo. Acordou no meio da noite se lambendo (já descobri que o horário mágico é entre 3h30 e 4h da madrugada – quem merece?), mas fui conversando com ela até que ela se acalmou e dormiu de novo.
10 dias depois, já estou começando a enxergar luz no fim do túnel =) Pra comemorar, fotos novas: